terça-feira, 20 de março de 2007

Há dias assim

Não é que eu esteja chateada ou revoltada com o mundo. Hoje - em especial - nem tinha motivos para tal: ontem tive um bom jantar e com boa companhia, seguido de uma boa noite de sono e hoje de manhã até tive folga do trabalho. Mas há coisas que - de tanto se repetirem - já começam a chatear.

Talvez por não estar na correria do quotidiano, onde as rotinas matinais são feitas em modo automático, tive a lucidez e tempo para aproveitar os "pequenos nadas": andar de carro e abanar a cabeça ao som da música, não stressar com as filas e com os "espertinhos do trânsito", e ver/ouvir com mais atenção aquilo que se cruzava no meu trajecto.
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Mais eis que olho para o placar de publicidade e vejo anunciado mais um concerto (ou será o mesmo de sempre?) da promotora Casablanca, desta vez no Restelo, mas com o alinhamento já muito conhecido. (in)conscientemente sai-me um f#da-se enquanto olho para aquilo e questiono-me "será que ninguém investiga isto?". Num registo mais leviano até podia pensar que isto não passa de uma enorme partida, que a promotora afinal é uma companhia de comédia ou até de um grupo de estudantes de Sociologia e Estudos Comportamentais. Mas não, pelo tamanho XXL dos placars, suspeito que tanto os "pobres" comediantes como estudantes não teriam verba para tal produção. Já ouvi falar em "branqueamento de capital" e essa suspeita parece-me a mais óbvia. Mas pelos visto para a crise que o pais está a passar, este assunto é de menor importância na agenda daqueles que investigam este tipo de negócios.
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Chego a casa, e enquanto preparo um pequeno almoço primaveril (suminho de frutas natural é tao boooom) esqueço da trama que me acompanhou da viagem matinal. Ligo a tv e mais uma vez, (in)conscientemente, sai-me um outro f#da-se. Desta vez a notícia é sobre os avanços do mar na caparica e os remendos que andam a fazer para tentar evitar aquilo que - agora - será inevitável: o avanço do mar sobre o território que (ingenuamente) todos nós tomamos como nosso. Não deixam de ser ridículas todas estas iniciativas para travar o avanço do mar, onde parecem que querem estancar uma ferida profunda com um penso rápido. E depois aparecem os "pavões" a serem entrevistados enquando dizem que fazem "o que é possível". Sei que os recursos em Portugal não são distribuídos de forma mais racional, e que a nossa costa é uma "filha mal amada", mas bastava ter um pouco de perspectiva para perceber que as areias que tiraram à uns tempos da zona sul de s. joão da caparica iriam fazer falta mais cedo ou mais tarde.
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Olho para o relógio e são 10:3O da matina....desligo a tv... meto o mp3 a tocar em modo aleatório... deito-me sobre a cama e tiro um tempo para retomar o mood zen do dia... da coluna sai a melodia de "I feel so good today" (charlie brown jr).... sorri.... retomei o meu rumo :)

1 comentário:

panacea disse...

ontem tive um dia semelhante. só não usufrui de tanto sol..tiram-nos num dia, dão-nos a seguir :) Não me indignei pelas mesmas razões que tu..bom ontem talvez não me tenha indignado de todo com algo em especial..só fiquei a curtir a folga também, pelo descanso que os guerreiros merecem ;) também gosto dos sumos de fruta natural, como até nem me preocupo com as calorias..o elementar de laranja..de manhã é ouro! como diz o povinho :) só mudaria a banda sonora para a continuação da demanda sofrológica: Sting..qualquer uma. Para uma total in*consciência. Beijinhos.